Milan Kudera A …

Milan Kudera
A insustentável leveza do ser

“Nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores.”

“Há uma teoria …

“Há uma teoria que indica que sempre que qualquer um descobrir exatamente o que, para que e porque o universo está aqui, o mesmo desaparecerá e será substituído imediatamente por algo ainda mais bizarro e inexplicável… Há uma outra teoria que indica que isto já aconteceu.”

- Douglas Adams

Douglas Noël Adams (Cambridge, 11 de março de 1952 — Santa Bárbara, 11 de maio de 2001) foi um escritor e comediante britânico, famoso por ter escrito esquetes para a série televisiva Monty Python’s Flying Circus, junto com os integrantes desse grupo de humor nonsense, e pela série de rádio, jogos e livros O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Douglas Adams é um ícone do mundo nerd devido ao livro O Guia do Mochileiro das Galáxias, considerado como a bíblia dos nerds. Mas suas frases são mais do que apenas dicas para nerds, são para todos.

Leia mais: http://www.ominutodosaber.com/2012/07/citando-douglas-adams.html#ixzz2NEqYkvQX

O Ego Segundo o Budismo Tibetano

734432_564663563558289_845657781_n

No budismo, o mundo externo nunca é considerado separado do observador. Só podemos conhecer o mundo como o experimentamos . O universo físico certamente não é ignorado, mas é sempre tratado como indivisivelmente ligado com o mundo interior da consciência. Portanto, na análise budista, ele é representado por somente cinco dharmas: o campo dos cinco sentidos. Todos os fenômenos materias são definidos pelo fato de que podem ser vistos, ouvidos, farejados, saboreados ou tocados. Se não fossem perceptíveis pelos sentidos, não saberíamos nada sobre eles, e o que quer venhamos a conhecer chega até nós somente por meio dos sentidos. Todos os outros dharmas estão envolvidos com os processos de percepção e consciência, e com estados psicológicos. Esses estados mentais condicionam a maneira pela qual experimentamos o mundo, de tal forma que mente e corpo, interior e exterior, nunca podem ser separados. O sistema de dharmas descreve a existência, não de uma forma teórica, mas como ela é realmente vivida por seres conscientes de momento a momento.

Os dharmas são uma ferramenta para análise, de forma a observar como o sentido de ser surge a partir de uma combinação de muitos fatores diferentes e como evolui e se perpetua, embora não tenha uma realidade independente própria. Nesse método de análise, todos os dharmas são agrupados em cinco categorias, que são os “cinco skandhas”: forma, sentimento, percepção, condicionamento e consciência. A palavra sânscrita Skandha tem um duplo significado: pode indicar um grupo composto de unidades menores ou uma única unidade que faz parte de um grupo maior, como uma divisão de exército que contém muitos soldados, mas é parte de uma força muito maior. Tradicionalmente em seu uso budista , a ênfase era no primeiro sentido, a ideia de que cada skandha é composto de um grupo de dharmas.
O sistema dos skandhas demonstra como eles se combinam para produzir a ilusão de um ser, e ainda assim esse ser não tem base na realidade. Embora sejamos tão completamente apegados a ele, tudo o que somos e tudo o que experimentamos pode ser explicado perfeitamente sem ele. Trungpa Rinpoche descreveu os cinco skandhas como o processo das cinco etapas do desenvolvimento do ego.

Cada um de nós pensa em si como uma personalidade unica, unificada, mas, se examinarmos nossa experiência cuidadosamente, verificamos que nossos pensamentos e sentimentos estão mudando todo o tempo, em um momento estou feliz, no momento seguinte sinto-me contrariada ou zangada, depois já esqueço por um novo interesse. Se uma parte de meu corpo está doendo, então sinto que não sou nada além de dor. Em outras palavras, o “eu” está mudando continuamente. Não existe um encadeamento consciente unificador que perpasse todos os diferentes pensamentos e sentimentos. Somos uma corrente interminável de estados psicológicos momentâneos e interconectados . É assim que uma pessoa é vista no budismo. Em vez de um ser fixo, existe um fluir contínuo de momentos de consciência, que é chamado de continuum mental ou corrente mental. Os dharmas são partículas temporárias de experiência, como gotas de água que fazem a corrente fluir, enquanto os skandhas podem ser vistos como os padrões presentes na corrente.

O primeiro passo em direção ao despertar é superar nossa visão ordinária, de senso comum de nós mesmos como seres reais, sólidos e permanentes. Investigar as unidades básicas da existência mina a solidez do nosso mundo. Aquilo que chamamos “corpo” — ou uma mesa, uma árvore, ou qualquer coisa que seja — são apenas nomes, termos convencionais; são na verdade somente coleções de dharmas, surgindo e decaindo novamente, combinando-se temporariamente de acordo com as circunstâncias. Desse ponto de vista os dharmas são reais; eles são as realidades últimas, porque são o que realmente experimentamos. É o “ser” que é irreal, apenas uma construção da mente.

A segunda fase é revelado que os próprios dharmas são vazios de qualquer existência independente ou de natureza inerente própria. Nesse estágio, a meditação se expande para além da área da própria falta de substancialidade individual para compreender a natureza onírica do universo inteiro. Essa compreensão quebra a barreira da dualidade do ser e do outro, e estimula o amor e a compaixão por todos os seres viventes, que estão sofrendo desnecessariamente por causa de sua confusão a respeito da existência. Não é mais necessário para o meditante se concentrar em identificar os dharmas separados como um antídoto para o sentido do ego. Ao contrário, com pelo menos uma experiência básica de sua ausência, existe mais ênfase em entender o processo pelo qual nossa experiência de vida baseada no ego é continuamente construída e mantida pelos cinco skandhas, e em ser vista através de sua aparente realidade.

Finalmente, o ensinamento da terceira fase revela que a compreensão do vazio não é nenhuma outra senão a da natureza de Buda. A ausência de um ser limitado, individual, “não é o nada”, mas a experiência da presença desperta. É o grande ser, puro desde o início. A potencialidade para a iluminação existe dentro de cada um de nós, como uma natureza verdadeira, original.

Nosso estado desperto fundamental nunca foi diminuído ou destruído, apenas obscurecido pela ignorância. Mas de onde surgiu a ignorância? Ela surgiu daquele próprio estado básico, assim como uma ilusão. Toda a elaborada estrutura do “ego” e do mundo samsárico de alguma forma se desenvolveu sem qualquer realidade própria, como em um sonho.

Fonte: http://anoitan.wordpress.com/2010/02/09/o-ego-segundo-o-budismo-tibetano/